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sábado, 26 de maio de 2012

Do Cheio e do Vazio (II) -- Capítulo VI do livro A Arte da Guerra (continuação)

O exemplo dos valentes é suficiente para encorajar os covardes. Estes seguem facilmente o caminho apontado, mas não poderiam por si mesmos descobri-lo.
Como dizia Sun Tzu, tamanho não é documento -- via Revista Época


Após uma pausa para descanso, tratando (ainda) de uma dor chata e insana nas mãos (é mole?) e trabalhando muito no meu day job (de verdade!), estou de volta às publicações de textos sobre Sun TzuA Arte da Guerra e o livro que espero (ainda) publicar no próximo ano.

Confesso que, além desses motivos acima, aproveitei para ler os dois primeiros livros das Crônicas de Gelo e Fogo – veja o que escrevi sobre duas passagens da série produzida pela HBO aqui (sim, tem a ver com Sun Tzu e A Arte da Guerra). E por falar nisso, vamos logo ao que interessa, né?

Exemplos complementares (ou, uns seis mandamentos)
No texto anterior falei sobre o conceito básico por trás do capítulo VI do livro – Do Cheio e do Vazio. Agora vou apenas complementar o que escrevi então, acrescentando conselhos complementares (não meus, do cara) ao tema central, que (ok, você tá com preguiça de ler o texto anterior) gira em torno de controlar e direcionar as ações do inimigo tanto quanto as suas próprias. Bem, na verdade, a questão toda se resume a:
  • Não dividir o próprio exército (e provocar isso no inimigo);
  • (Por conseqüência) deve-se concentrar as principais forças do mesmo lado, (e o que se quer dizer com isso é que, se a intenção for, por exemplo, atacar pela ala esquerda, é necessário ali dispor o que há de melhor nas tropas);
  • Conhecer a fundo não apenas o local, mas também o dia, a hora, o momento exato do combate;
  • Estar informado a respeito de cada passo do inimigo (ah, Varys e Mindinho!);
  • Posicionar-se à distância apropriada do inimigo no dia determinado para o combate (não menos que algumas léguas, não mais que dez léguas inteiras);
  • Não procurar ter um exército muito numeroso
Sobre a grandeza do exército, além de explicar que um pequeno exército bem disciplinado e sob o comando de um bom general é invencível, exemplifica sua afirmação citando a histórica contenda entre os reinos de Yue, com um exército numeroso (e derrotado), e de Wu, com poucas tropas (mas, vencedor). A esse respeito, eu perguntaria, ainda, se alguém aí se lembra da guerrilha cubana, Vietnã e outras querelas mais recentes em que o "mais fraco" acabou vencendo.

Por fim, o capítulo é encerrado com uma referência a uma questão central d’A Arte da Guerra: a necessidade de se adaptar às circunstâncias“um exército bem comandado e bem disciplinado [apresenta-se] multifacetado, em função das circunstâncias e dos inimigos”, diz Sun Tzu. Também escrevi um texto sobre isso aqui neste mesmo blog (e logo logo voltarei a tratar deste assunto).

Por enquanto, ficamos por aqui.

Inté e tudibão.


Texto anterior - Do Cheio e do Vazio (I) -- Capítulo VI do livro A Arte da Guerra


domingo, 1 de abril de 2012

Do Cheio e do Vazio (I) -- Capítulo VI do livro A Arte da Guerra

A grande sabedoria é obter do adversário tudo o que desejas, fazendo com que seus atos redundem em benefícios para ti.

Você conseguiria tratar assim seu inimigo? Sun Tzu diz que deveria. -- via Cia dos Ventos

Não se deixe confundir pelo título. Apesar de parecer tanto quanto metafísico, Do Cheio e do Vazio, o sexto capítulo do livro discorre mesmo, principalmente, sobre o comportamento do general perante o inimigo -- e, por tabela, sobre como infernizar a vida dele.

Ocupe o terreno, controle os movimentos do inimigo, imponha a ele o combate, faça-o ir aonde for melhor para você, atrapalhe sua vida, vigie-o atentamente, utilize-se do elemento surpresa, cuidado com os inimigos nas trincheiras e por aí vai. Não é de se admirar que, mais uma vez, Sun Tzu nos lembre da importância da dissimulação. Muitos destes comandos aí em cima dependem de saber fazer com que o inimigo veja o que não é e pense estar fazendo a coisa certa, quando, na verdade, está a caminho da derrocada.

Este também é um capítulo de conselhos práticos, em contraste franco com a também incensada obra de Miyamoto Musashi, O Livro dos Cinco Anéis, sobre a qual já comentei neste mesmo blog. De maneira geral, o espírito pode ser resumido nesta frase do terceiro parágrafo:

Um grande general não é arrastado ao combate; ao contrário, sabe impô-lo ao inimigo.

Para tanto, deve:

  1. escolher criteriosamente o terreno do campo de batalha, não permitindo que o inimigo tome a dianteira
  2. ter a habilidade necessária para controlar os movimentos do inimigo (e escolher bem o terreno já seria um bom início de conversa)
  3. fazer com que ele, o inimigo, vá exatamente aonde se quer, utilizando-se de subterfúgios como facilitar ou dificultar seus movimentos (torne fácil para ele ir aonde você quer, e torne difícil seu caminho em direção a lugares que não seria bom para você que ele ocupasse) 
  4. deixar que o inimigo se movimente primeiro, mas sempre tomando atitudes que o deixem alarmado, de modo a induzi-lo a cometer imprudências que poderão ser proveitosas

Note bem a importância que ele dá ao controle que se deve ter não apenas das próprias ações, mas também de todo e qualquer passo do inimigo. E não apenas no sentido de saber o que os caras estão fazendo, mas de induzi-los a fazer o que queremos que eles façam, inclusive e talvez principalmente, ao erro.

No fim das contas, o título parece adequado (apesar de meio metafísico), já que, de certa forma, o capítulo é sobre o preenchimento dos espaços -- tanto físicos, no terreno, quanto psicológicos, na mente das próprias tropas e, especialmente, das hostes do inimigo.

Em resumo, uma parte significativa deste capítulo é dedicada a transformar o leitor em um mestre titeriteiro. E o fantoche não poderia ser outro: o inimigo. Mas tem mais. No entanto, vamos deixar para o próximo post, que este já está meio grandinho.

Nos vemos no futuro.



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 - Do Confronto Direto e Indireto -- Capítulo V do livro A Arte da Guerra