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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O Uso de Espiões -- Capítulo XIII do livro A Arte da Guerra

O uso da espionagem é um tema delicado, muito delicado! Não existe lugar em que a espionagem não possa ser empregada.
Acho que o Obama não entendeu este capítulo, né Snowden? -- via viomundo
Antes de James Bond, Jason Bourne, Ethan Hunt e Austin Powers havia a história, as guerras e seus inúmeros personagens. Destes, dos personagens das guerras, os que talvez provoquem maior fascínio nas pessoas sejam os famosos (e também os desconhecidos) espiões. E, perceba, não estou falando apenas das guerras mundiais e fria do século XX. Mesmo em épocas mais antigas, os espiões já eram considerados peça fundamental nos tabuleiros dos jogos bélicos.

Em sendo assim, é nada mais do que natural este assunto marcar presença no mais antigo tratado militar conhecido: A Arte da Guerra. É exatamente disso que trata o capítulo XIII, e derradeiro, do livro. E a necessidade do uso de espiões gira em torno, novamente, de um dos temas centrais e recorrentes do tratado: conhecer o inimigo. Sun Tzu deixa isto claro logo no terceiro e quarto parágrafos:

Um governante esclarecido e um general sábio são vencedores porque suas ações se baseiam em suas vidência.

A vidência não pode ser a alcançada por meio de espíritos, nem deuses, nem por analogia com o passado, nem mesmo por cálculos; depende, exclusivamente, dos homens que conhecem o inimigo.

A partir daí, nos informa que existem cinco tipos de espiões:

  1. nativos, que seriam camponeses do povo inimigo a serviço do nosso exército
  2. internos, oficiais inimigos empregados em nosso exército
  3. duplos, espiões inimigos que empregamos em nosso exército; eles seriam recrutados entre os espiões que trabalham para o inimigo
  4. dispensáveis, espiões nossos a quem entregamos informações falsas de propósito
  5. vivos, os que voltam com informações sobre sobre o inimigo

A julgar pela atenção dada ao terceiro tipo, este seria o grupo mais importante de espiões. Afinal, de acordo com Sun Tzu, são eles que aliciam os espiões nativos e internos, é por meio deles que podem ser enviados, com informações falsas, espiões dispensáveis ao coração do inimigo e também é utilizando-se de sua expertise que se pode empregar os espiões vivos, quando necessário. Tudo isso é dito dos espiões duplos e nada mais dos restantes.

Sobre os duplos, o chinês ainda diz:

É indispensável descobrir os espiões que trabalham para o inimigo; suborna-os, e tente fazê-los passar para o seu lado. Cuide bem deles e os oriente. Eles se tornarão espiões duplos.

Os espiões que ninguém (?) amava
Naturalmente, o uso de espiões não é pra todo mundo. Há que ser ter, no caso do soberano, algumas qualidades úteis não apenas para lidar com espionagem, mas com a própria arte de governar, vamos assim dizer. Em todo caso, é preciso ser delicado, sutil, "sábio ou esperto, humano e justo" para poder usá-los e deles extrair informações. Além disso, o governante deve conhecer pormenorizadamente as atividades dos cinco tipos de espiões (conhecimento que, obviamente, será garimpado pelos espiões duplos). Não por acaso, o Aranha e o Mindinho são personagens tratados com toda atenção e cuidado (mas nem tanto carinho) pelos players do Game of Thrones (é, de novo).

Quanto ao comandante, ele deve ser íntimo dos espiões a serviço no exército, e estes devem receber, por seus prestimosos afazeres, as melhores recompensas. Eu particularmente diria que uma boa parte da parte boa do butim deve ir pra esses caras. Assim será possível garantir a realização de grandes feitos, por conta do uso de pessoas inteligentes como espiões.

Para deixar isso claro, Sun Tzu recorre à boa e velha história, e nos relembra que ascensão das dinastias Yin e Zhou foi possível graças a ninguém menos que o MI5 e a CIA Yi Chih e Luyu, respectivamente. Diga-se de passagem que pelo menos o Yi Chih parece ter lastro histórico, ou, melhor dizendo, não se trata de uma ficção criada pelo autor chinês para marcar seu ponto de vista.

Diversos textos chineses antigos corroboram a existência do cara e, inclusive, sua atuação como espião. Contemporaneamente, Ralph Sawyer, em seu meticuloso Ancient Chinese Warfare, faz referência a uma passagem do Lu-shih Ch'un-ch'iu, texto histórico do século III aec, que retrata o momento crucial no qual ele é convertido a espião e enviado a campo.

Mas isto já é assunto para outro dia. Enquanto isso, altere a senha do seu computador e tome muito cuidado com o que fala ao telefone.

Inté!


Próximo texto - A China antes da China

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Da arte de se adaptar -- Missão Impossível, Tom Cruise e Sun Tzu

Paula Patton, Cruise e Léa Seydoux, ou, a gostosa 1, o samurai e a gostosa 2. Via VertigoPop.

Ontem assisti ao quarto filme da série Missão Impossível iniciada em 1996, com Tom Cruise. Filme típico de ação, bom de ver na tela grande do cinema, com um ritmo frenético e muitos elementos de humor, principalmente por conta de Simon Pegg, de Star Trek e Todo Mundo Quase Morto -- pra mim, a melhor parte do filme (tá bom, tem as duas gostosonas da foto).

Mas o que nos interessa é a relação que ele pode ter com o livro a Arte da Guerra. Fora a parte óbvia, da espionagem, dissimulação (deception), um elemento que chama a atenção e que tem muito a ver com os princípios estratégicos de Sun Tzu é a adaptação -- que, aliás, confere à película o ritmo videoclipe de que os filmes de ação de hoje em dia não mais prescindem.

Porque imprevistos acontecem
Quero dizer com isso -- adaptação -- que o general chinês preconiza não apenas que o comandante esteja preparado -- e mais bem preparado que o inimigo --, mas também que ele tenha uma capacidade extraordinária de se adaptar às circunstâncias impostas pelo andar da carruagem. Melhor dizendo, planeje, calcule, pense, reflita, aja, mas tenha sempre em mente que imprevistos acontecem e que mais cedo ou mais tarde você vai ser vítima deles.

Por esse prisma, Ethan Hunt (a personagem de Cruise) e sua equipe são verdadeiros mestres da guerra. Praticamente todos os planos, esquemas e táticas do grupo tiveram imprevistos mais ou menos cabeludos, e eles tinham que se adaptar às circunstâncias a cada 30 segundos, ou menos. Exemplo é a sequência em que eles tem que invadir um computador em um arranha-céu, mas descobrem aos 45 minutos do segundo tempo que não vão conseguir fazê-lo remotamente. Ou seja,  a única saída é acessar a máquina pessoalmente.

Fazer o quê? Bem eles inventam uma saída (literalmente, inclusive) e a sequência inteira, até o final dos encontros que haveria no hotel, é a síntese do que Sun Tzu quis dizer com "adapte-se". Não vou dar os detalhes para não estragar a festa de quem ainda não viu -- mas quem já viu saberá do que estou falando.

Outro filme, lembrei agora, que nos mostra claramente esse conceito -- mas inspirado em uma história real -- é o Apollo 13, com outro Tom, o Hanks. Quem não se lembra da célebre frase "Houston, temos um problema"? Aliás, você se lembra de algum outro filme no qual os princípios de A Arte da Guerra são eternizados pela sétima arte? Comente aí.

Abraços e inté+.


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 - Da Arte de Vencer Sem Desembainhar a Espada -- Capítulo III do livro A Arte da Guerra

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Sun Tzu, Segunda Guerra, Vietnã e Guerra Civil dos EUA

Parece que nada disso poderia ter a ver com o livro A Arte da Guerra, a não ser o fato de tudo ser guerra, certo? Bem, de acordo com o documentário do History Channel, ao qual me referi neste outro texto, o uso dos ensinamentos de Sun Tzu poderia ter sido determinante para se prever o resultado de cada um destes eventos.


De fato, o vídeo consegue ser bem convincente ao analisar as táticas e estratégias utilizadas pelos líderes de cada lado envolvido nos combates e fazer referências a passagens específicas do texto chinês. Os destaques vão para:
O documentário também nos brinda com detalhes sobre a campanha de Sun Tzu, à frente das tropas da província de Wu, contra o exército de Chu -- supostamente 10 vezes superior em número de soldados.

Resumo da ópera
Se você se interessa por qualquer assunto relacionado neste texto, assista ao documentário, pois vale muito a pena. Se não conseguir ver no Youtube, ele está disponível para venda em DVD pelo site do History. Se não puder comprar, ou não quiser, há diversos downloads pela internet.

Eu já tenho o meu!

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