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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Da Arte de Vencer Sem Desembainhar a Espada -- Capítulo III do livro A Arte da Guerra

A melhor política guerreira é tomar um Estado intato; uma política inferior consiste em arruiná-lo.
Sun Tzu diz: imita a vigilância, a diligência, o entusiasmo e a tenacidade das formigas.
Foto: Valdir Dala Marta, via timblindim

Esse título, pelo menos na versão da Sueli Cassal, quase chega a ser poético e o conceito por trás dele, e também do desenvolvimento do terceiro capítulo do livro, é um dos que eu considero mais interessantes. Sim, tem a ver com evitar o confronto, mas também diz respeito a vencer antes mesmo de lutar. Melhor dizendo, ter certeza -- por meio do uso e aplicação dos outros conceitos -- de que, quando se partirem para as vias de fato, quando estiver na hora do pau, o inimigo é quem vai sair derrotado.

Assim, ele Sun Tzu inicia o capítulo destacando exatamente a questão de evitar o confronto. Já no segundo parágrafo, atira:

Conservar os domínios e todos os direitos do príncipe que serves deve ser o primeiro de teus cuidados. Só deves ampliá-los, usurpando o território inimigo, quando for imprescindível.

E continua, mais adiante, afirmando que "é preferível subjugar o inimigo sem travar combate". Acrescenta:

Os grandes generais vencem descobrindo todos os artifícios do inimigo, sabotando-lhes os projetos, semeando a discórdia entre seus partidários, mantendo-o sempre acossado, interceptando reforços estrangeiros, e impedindo-o de tomar qualquer decisão mais vantajosa para ele.

Ao longo do capítulo ele vai e volta de e para uma ideia e outra sem pestanejar. Digo, ele discorre sobre evitar o confronto, logo depois fala em um confronto sem lutas -- utilizando-se da inteligência e destacando a importância de atacar a estratégia do inimigo. Também fala de como proceder ao vencer -- basicamente, fazer o possível para que o vencido integre-se às hostes do vencedor. Mas logo depois volta às ideias anteriores, e vai continuando assim.

Também oferece conselhos práticos para a hora do vamos ver, a exemplo de como agir com relação à diferença numérica entre os soldados -- tanto para mais quanto para menos:

Se fores inferior, fica alerta. O menor erro pode ser fatal. Tenta colocar-te a salvo, e evita, se possível, entrar em choque com o adversário. A prudência e a firmeza de um punhado de pessoas pode conseguir extenuar e dominar mesmo um exército numeroso. Assim, és ao mesmo tempo capaz de te proteger e de obter uma vitória completa.

Ok, segundo Frank Miller, não foi o que aconteceu com Leônidas e os 300, mas parece que Alexandre e Gengis Khan eram meio que especialistas nisso (a conferir).

O jogo dos 7 erros e das 5 circunstâncias
Na verdade ele fala em uma patacada de erros e em 7 males cruciais no comando dos exércitos:
  1. executar cegamente ordens tomadas na Corte
  2. tornar os oficiais confusos
  3. misturar regras civis e militares
  4. confundir o rigor necessário a governar o Estado com a flexibilidade requerida pelo comando das tropas
  5. dividir a responsabilidade
  6. disseminar a suspeita/desordem
  7. aguardar ordens em todas as circunstâncias

Sun Tzu deve ter sido, inclusive, um precursor do empowerment, pois aqui e ali ele toca no assunto, dizendo coisas como o item 7 acima e como: "nomear um general é da alçada do soberano; decidir uma batalha cabe ao general. Um príncipe esclarecido deve escolher o homem que convém, revesti-lo de responsabilidades e aguardar o resultados".

O chinês termina o capítulo com uma referência a Mênsio, com uma de suas mais famosas frases -- se conhece o inimigo e a si mesmo não precisa temer o resultado de cem batalhas -- e com uma lista de 5 circunstâncias necessárias para vencer o inimigo:
  1. saber quando combater e quando dar o fora
  2. saber lidar com o pouco e o muito
  3. compor habilmente as fileiras
  4. preparar-se com prudência para afrontar o inimigo
  5. evitar ingerências do soberano

Não por acaso ele chama essa lista de "os 5 caminhos da vitória". E, parafraseando um dos personagens mais chatos da famigerada Escolinha do Professor Raimundo, vitória é o que interessa, o resto... ah, o resto é resto. Ou não?

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Frases de Sun Tzu e da Arte da Guerra (I)

Uma coisa interessante a respeito das grandes personalidades é que elas, em sua maioria, tem enorme capacidade de criar frases que impactam as pessoas, geram reflexão e acabam por adquirir vida própria, apartadas da obra original.

"Be quick or be dead!" -- teriam o pessoal do Iron Maiden e esse tal Vettel (foto) lido Sun Tzu?
Foto via Dezinteressante (sem indicação do autor)

Ora, com Sun Tzu não foi diferente e há zilhões de frases por aí, ou atribuídas a ele, ou de fato presentes em sua obra. A partir de agora teremos uma série de posts com frases extraídas diretamente do livro a Arte da Guerra -- traduzidas livremente da versão de Lionel Giles.

1. A arte da guerra é de importância vital para o Estado.
Esta é a frase que abre o livro e também dá uma boa ideia de porque o rapaz resolveu escrevê-lo.

2. Toda guerra é baseada na dissimulação.
Ainda do primeiro capítulo, é a primeira referência a um conceito caro a Sun Tzu.

3. Ataque-o onde ele está despreparado, apareça onde você não é esperado.
Ele, no caso, é o inimigo. Outro conceito caro a Sun Tzu, que tem muito a ver com a dissimulação, é a surpresa.

4. O general que vence a batalha faz muitos cálculos em seu templo antes de lutar.
Esta reflete a essência do primeiro capítulo, que diz respeito exatamente a planejar. Também sintetiza outra ideia recorrente na obra, a de vencer antes (ou a despeito) mesmo de lutar.

5. Não existe exemplo de país que tenha se beneficiado de uma guerra prolongada.
Já no segundo capítulo, que trata basicamente de organização, aparece mais um tema caro a Sun Tzu: evitar guerras e batalhas prolongadas, agir rapidamente.

6. Na guerra, então, o grande objetivo deve ser a vitória, não campanhas prolongadas.
Mais um exemplo do tema abordado na frase anterior: rapidez, velocidade.

7. Na arte da guerra, a melhor coisa é tomar o país inimigo inteiro e intacto.
Essa ideia pode parecer surpreendente, em se tratando de um texto sobre guerra (e destruição e todas as suas consequências), mas também é recorrente na obra de Sun Tzu -- com algumas variações.

8. A excelência suprema consiste em quebrar a resistência inimiga sem lutar.
Lembra do comentário sobre a frase 4 acima?

9. A maneira mais elevada de comandar é frustrar os planos inimigos.
Ainda uma ideia que tem a ver com a "arte de lutar sem desembainhar a espada".

10. A pior política é sitiar cidades bem protegidas.
A partir da frase 9, Sun Tzu cita ainda mais 2 maneiras de "se dar bem" na guerra, por ordem de importância. Depois, destila a frase 10 -- algo como "Quer se dar mal? Faça isso!"

Parafraseando outra grande personalidade, "por enquanto, é só pessoal"! Mas guenta firme aí que em breve publicarei mais frases do china -- entre outras coisas muito interessantes que tenho descoberto em minhas pesquisas para escrever o livro.



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