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domingo, 7 de abril de 2013

Manobras - Capítulo VII do livro A Arte da Guerra

Pondere a situação; depois mova-se.
Manobrar no campo de batalha é (também) se comunicar -- via China History Forum
Assim como capítulos anteriores, e também como os próximos seis capítulos d'A Arte da Guerra, de maneira geral, este capítulo VII d'A Arte da Guerra trata da ação propriamente dita; da "hora do pau", por assim dizer; dos momentos decisivos no campo de batalha. Seu título não deixa sobrar muita dúvida a esse respeito. E a primeira frase, logo após o já famoso "Sun Tzu disse", também diz a que veio o texto:
"a regra geral é de que um exército é mobilizado quando um governante convoca o general para uma missão. Ele recebe suas ordens, reúne as tropas e as mobiliza no quartel". 
Ok, ok, ainda não é ação, mas já recebemos as ordens para nos prepararmos para ela, certo? Então vem o tradicional desfile de indicações sobre o que deve ser feito a seguir. E aí sim já estamos a falar de ação, não sem antes sermos alertados de que
"nada é mais difícil do que o combate armado"
e talvez por isso mesmo seja dada atenção especial à arte de manobrar um exército. Tanto assim que a expressão "lei das manobras" é utilizada em três momentos ao  longo do capítulo.

Sobre a lei das manobras
E o que diz essa lei? Basicamente, que é necessário dominar a arte de se movimentar, de tal maneira que se possa aproveitar ao máximo as vantagens de dominar tempo e distância, bem como evitar de todas as maneiras os perigos de se realizarem manobras equivocadas.

É necessário saber quando movimentar todo o exército ou apenas parte dele; o quão rápido ou devagar movimentar-se e até discernir apropriadamente os períodos e duração de marchas. Naturalmente, para bem manobrar os homens, três coisas são fundamentais: 1)  ter conhecimento do terreno; 2) bem utilizar a arte do engodo; e 3) mandar ver nos métodos de comunicação para o campo de batalha.

Esta última merece inclusive a referência, por parte de Sun Tzu, a trecho de um livro da época intitulado Livro da Ordem Militar. Disse Sun Tzu:
"Não se ouvem as palavras durante as batalhas, por isso existem os tambores e os gongos. É difícil enxergar os outros, por isso existem as bandeiras e os estandartes."
E você achando que aquelas bandeiras e estandartes no Game of Thrones eram só enfeites, hein! Na verdade, além de servirem como veículo de propaganda mesmo (fixando visualmente a marca dos reis e senhores feudais na cabeça do populacho por onde quer que os exércitos passassem), elas serviam como um meio de comunicação crucial no calor das batalhas. Como? Até agora faço muito pouca ideia, mas o bom e velho Sun Tzu nos dá algumas dicas valiosas:
"Tambores, gongos, bandeiras e estandartes servem para concentrar a atenção das tropas. Com elas os corajosos não atacam sozinhos e nem os fracos fogem. Essa é a regra para dominar as tropas"
E:
"Em batalhas noturnas, use muitas fogueiras e tambores; em batalhas diurnas, use muitas bandeiras e estandartes. Desse modo, pode-se controlar a audição e a visão das tropas"
O cara prossegue a discorrer sobre a necessidade de controlar as energias, o coração, a força e as circunstâncias (sempre elas) e, por fim, nos brinda com mais um checklist, desta vez sobre situações relacionadas ao inimigo. Ipsis literis:
  1. Se ele foge, não o persiga;
  2. Não ataque suas tropas de elite;
  3. Não prove de sua comida;
  4. Não detenha um exército de volta para casa;
  5. Deixe sempre uma saída de fuga;
  6. Não acosse um inimigo desesperado.
Já consigo entender alguns porquês deste checklist, mas também já escrevi demais e, em algum futuro post, certamente trataremos disso. Hasta!


Texto anterior - Do Cheio e do Vazio (II) -- Capítulo VI do livro A Arte da Guerra (continuação)


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Da Arte de Manobrar as Tropas -- Capítulo IV do livro A Arte da Guerra


É pela disposição das forças que um general vitorioso é capaz de levar seus homens ao combate, soerguendo-se ao patamar de águas represadas que, súbito liberadas, mergulham num abismo incomensurável.
Já pensou se essa muralha racha? Sun Tzu já... - via Podia ser com você (sem autor indicado)

Sun Tzu inicia o capítulo a discorrer sobre o quanto era importante aos guerreiros antigos (anteriores a seu tempo, fique claro) assegurem-se da vitória antes mesmo do início dos combates. Isso, naturalmente, tem a ver com o Capítulo I, da Avaliação, que basicamente destaca a necessidade de planejamento.

Tem a ver, também, com uma de suas frases mais famosas: "se você conhece o inimigo e a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas". Mas, não necessariamente a partir daí, sentencia: "conhecer os meios que asseguram a vitória não significa obtê-la". A consequência tem a ver exatamente com o que chamei de A Arte de se Adaptar.

Quero dizer: planeje, calcule, reflita, pense e aja de acordo com seus planos, mas esteja preparado para alterá-los ao sabor das circunstâncias.

Conselhos mais ou menos práticos
Do alto de sua sabedoria, o general chega a quase vaticinar que o líder preveja quais serão as alterações nas circunstâncias (como se não existisse o caos, ou como se fosse possível prever o imprevisível)! No entanto, como o foco são as manobras em campo (tática?), ao se observar os movimentos inimigos (ou sua falta), poderia-se até dizer que tais previsões sejam possíveis.

Mesmo assim, tudo se baseia mesmo em vencer a batalha antes de iniciarem-se os combates -- e em função disso, o mestre elabora uma série de conselhos mais ou menos práticos, tais quais:
  • não cometer erros, evitando sequer o menor deslize
  • não fazer deslocamentos inúteis
  • não permitir que as tropas mostrem uma confiança demasiado cega
  • como se portar em situações de defesa e ataque
Aqui, ele também faz referência ao Tao, afirmando que os que são zelosos na arte da guerra aderem à sua doutrina (eu diria que vale a pena conhecer um pouco a filosofia por trás desse negócio, independente de ser zeloso na arte da guerra).

O general também elenca cinco elementos da arte da guerra:

  1. a medida do espaço -- que, obviamente, derivam do terreno
  2. a avaliação das quantidades -- necessárias de homens, mantimentos, etc, que derivam da medida do espaço
  3. as regras de cálculo -- basicamente dizem respeito a avaliar se o inimigo pode ou não ser atacado
  4. as comparações -- ele não explica isso, mas presume-se que tenha muito a ver com as regras de cálculo
  5. as chances de vitória -- fruto de tudo isso aí em cima

Nota-se que todas se fundamentam em, nada mais nada menos, que planejar. Grosso modo, constituem-se quase num passo a passo de um planejamento -- se não estratégico, pelo menos tático. Com base nesses elementos seria possível tomar as melhores decisões em relação a quando e como atacar (ou não), mobilizar a população e recrutar as tropas, distribuir equitativamente provisões e munições, e por aí vai.

Sun Tzu encerra o capítulo, para variar um pouco, com mais uma de suas pérolas:
Só recolhe os louros da vitória quando a derrota completa do inimigo te colocar em condição de fazê-lo com segurança.
Ou esteja, como dizem os escoteiros, "sempre alerta". Nos vemos no futuro!


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 - Sun Tzu diz: feliz ano novo ocidental!