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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Da Arte de Manobrar as Tropas -- Capítulo IV do livro A Arte da Guerra


É pela disposição das forças que um general vitorioso é capaz de levar seus homens ao combate, soerguendo-se ao patamar de águas represadas que, súbito liberadas, mergulham num abismo incomensurável.
Já pensou se essa muralha racha? Sun Tzu já... - via Podia ser com você (sem autor indicado)

Sun Tzu inicia o capítulo a discorrer sobre o quanto era importante aos guerreiros antigos (anteriores a seu tempo, fique claro) assegurem-se da vitória antes mesmo do início dos combates. Isso, naturalmente, tem a ver com o Capítulo I, da Avaliação, que basicamente destaca a necessidade de planejamento.

Tem a ver, também, com uma de suas frases mais famosas: "se você conhece o inimigo e a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas". Mas, não necessariamente a partir daí, sentencia: "conhecer os meios que asseguram a vitória não significa obtê-la". A consequência tem a ver exatamente com o que chamei de A Arte de se Adaptar.

Quero dizer: planeje, calcule, reflita, pense e aja de acordo com seus planos, mas esteja preparado para alterá-los ao sabor das circunstâncias.

Conselhos mais ou menos práticos
Do alto de sua sabedoria, o general chega a quase vaticinar que o líder preveja quais serão as alterações nas circunstâncias (como se não existisse o caos, ou como se fosse possível prever o imprevisível)! No entanto, como o foco são as manobras em campo (tática?), ao se observar os movimentos inimigos (ou sua falta), poderia-se até dizer que tais previsões sejam possíveis.

Mesmo assim, tudo se baseia mesmo em vencer a batalha antes de iniciarem-se os combates -- e em função disso, o mestre elabora uma série de conselhos mais ou menos práticos, tais quais:
  • não cometer erros, evitando sequer o menor deslize
  • não fazer deslocamentos inúteis
  • não permitir que as tropas mostrem uma confiança demasiado cega
  • como se portar em situações de defesa e ataque
Aqui, ele também faz referência ao Tao, afirmando que os que são zelosos na arte da guerra aderem à sua doutrina (eu diria que vale a pena conhecer um pouco a filosofia por trás desse negócio, independente de ser zeloso na arte da guerra).

O general também elenca cinco elementos da arte da guerra:

  1. a medida do espaço -- que, obviamente, derivam do terreno
  2. a avaliação das quantidades -- necessárias de homens, mantimentos, etc, que derivam da medida do espaço
  3. as regras de cálculo -- basicamente dizem respeito a avaliar se o inimigo pode ou não ser atacado
  4. as comparações -- ele não explica isso, mas presume-se que tenha muito a ver com as regras de cálculo
  5. as chances de vitória -- fruto de tudo isso aí em cima

Nota-se que todas se fundamentam em, nada mais nada menos, que planejar. Grosso modo, constituem-se quase num passo a passo de um planejamento -- se não estratégico, pelo menos tático. Com base nesses elementos seria possível tomar as melhores decisões em relação a quando e como atacar (ou não), mobilizar a população e recrutar as tropas, distribuir equitativamente provisões e munições, e por aí vai.

Sun Tzu encerra o capítulo, para variar um pouco, com mais uma de suas pérolas:
Só recolhe os louros da vitória quando a derrota completa do inimigo te colocar em condição de fazê-lo com segurança.
Ou esteja, como dizem os escoteiros, "sempre alerta". Nos vemos no futuro!


Texto anterior
 - Sun Tzu diz: feliz ano novo ocidental!


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Frases de Sun Tzu e da Arte da Guerra (I)

Uma coisa interessante a respeito das grandes personalidades é que elas, em sua maioria, tem enorme capacidade de criar frases que impactam as pessoas, geram reflexão e acabam por adquirir vida própria, apartadas da obra original.

"Be quick or be dead!" -- teriam o pessoal do Iron Maiden e esse tal Vettel (foto) lido Sun Tzu?
Foto via Dezinteressante (sem indicação do autor)

Ora, com Sun Tzu não foi diferente e há zilhões de frases por aí, ou atribuídas a ele, ou de fato presentes em sua obra. A partir de agora teremos uma série de posts com frases extraídas diretamente do livro a Arte da Guerra -- traduzidas livremente da versão de Lionel Giles.

1. A arte da guerra é de importância vital para o Estado.
Esta é a frase que abre o livro e também dá uma boa ideia de porque o rapaz resolveu escrevê-lo.

2. Toda guerra é baseada na dissimulação.
Ainda do primeiro capítulo, é a primeira referência a um conceito caro a Sun Tzu.

3. Ataque-o onde ele está despreparado, apareça onde você não é esperado.
Ele, no caso, é o inimigo. Outro conceito caro a Sun Tzu, que tem muito a ver com a dissimulação, é a surpresa.

4. O general que vence a batalha faz muitos cálculos em seu templo antes de lutar.
Esta reflete a essência do primeiro capítulo, que diz respeito exatamente a planejar. Também sintetiza outra ideia recorrente na obra, a de vencer antes (ou a despeito) mesmo de lutar.

5. Não existe exemplo de país que tenha se beneficiado de uma guerra prolongada.
Já no segundo capítulo, que trata basicamente de organização, aparece mais um tema caro a Sun Tzu: evitar guerras e batalhas prolongadas, agir rapidamente.

6. Na guerra, então, o grande objetivo deve ser a vitória, não campanhas prolongadas.
Mais um exemplo do tema abordado na frase anterior: rapidez, velocidade.

7. Na arte da guerra, a melhor coisa é tomar o país inimigo inteiro e intacto.
Essa ideia pode parecer surpreendente, em se tratando de um texto sobre guerra (e destruição e todas as suas consequências), mas também é recorrente na obra de Sun Tzu -- com algumas variações.

8. A excelência suprema consiste em quebrar a resistência inimiga sem lutar.
Lembra do comentário sobre a frase 4 acima?

9. A maneira mais elevada de comandar é frustrar os planos inimigos.
Ainda uma ideia que tem a ver com a "arte de lutar sem desembainhar a espada".

10. A pior política é sitiar cidades bem protegidas.
A partir da frase 9, Sun Tzu cita ainda mais 2 maneiras de "se dar bem" na guerra, por ordem de importância. Depois, destila a frase 10 -- algo como "Quer se dar mal? Faça isso!"

Parafraseando outra grande personalidade, "por enquanto, é só pessoal"! Mas guenta firme aí que em breve publicarei mais frases do china -- entre outras coisas muito interessantes que tenho descoberto em minhas pesquisas para escrever o livro.



Texto anterior - A Arte da Guerra na literatura de cordel