Por enquanto quero falar a respeito de como, nos filmes e séries que tenho assistido, passei a enxergar os preceitos de Sun Tzu. Mais especificamente na série Game of Thrones -- que vem a ser uma das boas coisas produzidas pela TV nos últimos anos. Adaptada de uma série de livros de George R. R. Martin intitulada As Crônicas de Gelo e Fogo, a história se passa num mundo fictício, com jeito de Idade Média, em que diversos reinos disputam a hegemonia. Traições, confabulações, guerras, sexo e sangue são alguns dos ingredientes básicos da trama -- muito bem contada e produzida.
Como você gostaria de morrer?
Alianças são feitas, desfeitas e refeitas a todo momento e esse é um dos pontos que me chamam a atenção no que diz respeito ao livro de Sun Tzu. Entre os temas que se destacam na obra chinesa, a necessidade de estabelecer alianças é constantemente realçada. E há um personagem na série da TV -- um dos melhores na primeira temporada -- que é mestre na arte de estabelecer alianças bem ao estilo de Sun Tzu: a qualquer preço.
Falo de Tyrion Lannister, personagem interpretado pelo ator Peter Dinklage, cuja característica física mais marcante é ser anão. Já quanto à personalidade, é de uma perspicácia ímpar, e até o final da primeira temporada da série conseguiu sair-se das situações mais difíceis utilizando-se de sua arma mais poderosa: a lábia -- seja pela via do convencimento puro e simples, seja por estar sempre disposto a oferecer as mais polpudas recompensas.
Uma passagem emblemática desta característica é o momento em que ele é cercado por bárbaros em uma floresta e, indagado sobre como deseja morrer, responde:
Aos 80 anos, em minha cama, com a barriga cheia de vinho e o p... na boca de uma mulher.
Parafraseei um pouco, mas o fato é que tal resposta não apenas desarmou os espíritos dos bárbaros, mas abriu caminho para que ele propusesse uma aliança envolvendo ouro, terras e glória. Não deu outra. Acabou se tornando o líder dos bárbaros na batalha que sucedeu-se pouco depois (embora não tenha lutado) e continuou vivo e mordaz.
Há ainda diversos outros exemplos de quão predisposto a alianças é o personagem (e do quanto ele as considera importantes, como o do vídeo acima), mas acho que este episódio dos bárbaros resume tudo. Também demonstra que Sun Tzu sabia do que estava falando quando escreveu A Arte da Guerra. -- e não é apenas a ficção que prova isso.
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